Por que sou uma militar antifascista
Como policial militar, vi de perto como a violência institucional atinge os mais vulneráveis — pessoas negras, pobres, a população LGBTQIAP+, pessoas trans e travestis, moradores de periferia. Durante anos, testemunhei abusos de autoridade que nenhum protocolo justifica, e essa impotência me marcou profundamente.
Foi essa experiência que me levou ao ativismo: entender que meu dever vai muito além da farda. Participo de iniciativas e discussões contra a violência institucional, integro grupos de defesa dos direitos das mulheres e pessoas trans, e atuo em projetos de educação e cidadania. Essa é minha forma de reparação, de devolver à sociedade o que lhe é tirado sistematicamente.
Não acredito em mudanças grandiosas e imediatas que brotam do nada, mas sei que cada ação concreta conta. Denuncio as violências que muitos chamam erroneamente de "procedimento padrão", levo informação e debate onde muitas vezes o Estado só leva repressão, e uso minha posição para proteger quem verdadeiramente deveria ser protegido.
Ser antifascista, para mim, é isso: recusar o silêncio cúmplice, confrontar as estruturas opressoras mesmo a partir de dentro das instituições, e garantir que minha existência como oficial e ativista seja uma contradição viva ao autoritarismo. A mudança real começa quando assumimos responsabilidade sobre nossa parte no problema — e eu estou fazendo a minha. Não com discursos vazios, mas com ações no dia a dia, porque ninguém será verdadeiramente livre enquanto houver quem permaneça sob as botas da opressão.